04nov 2015

Devagar com toda essa vontade de julgar

Postado por às em Inspiração, Meus escritos

Tenho ensaiado uma volta a esse blog tanto e tantas vezes que nem sei. Nas últimas semanas a ideia tem sido mais forte, mas estou em uma licença médica que me permite usar computador só uns quarenta minutos por dia – e com ressalvas – então achei que poderia não ser o momento mais adequado. Até eu tropeçar nesses quarenta minutos em uma matéria sobre o caso da Essena.

Se você estava em Marte, eu dou o resumão: Essena é dona de uma conta de Instagram super famosinha daquelas que olhamos e assistimos a vida, o corpo, as roupas, os amigos e as festas que queremos ter. Só que Essena se encheu, deletou quase todo o conteúdo e trocou suas legendas por legendas mais verdadeiras sobre as condições em que aquelas fotos foram tiradas. E assim ela acaba de virar tema de vários posts muito interessantes sobre as mentiras Instagramadas – o meu favorito até agora é o da Carol Burgo. A primeira vista isso tudo parece muito bom, mas querem saber? Me preocupa. Porque eu vejo o caminho que isso tomará em poucos cliques. Um caminho de julgamento que eu mesma já tomei e que não acho o mais saudável já faz um tempo.

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será que todo mundo que tira selfies merece ser visto como a Essena definiu?

Se você é uma mulher ocidental de classe média, é bem provável que essa frase te faça sentido: desde que nascemos somos treinadas para princesinhas do baile. Nossas metas são o corpo, a vida e a casa mais bonita, o casamento mais feliz e os filhos mais fofos. Se você também cresceu na minha geração, a essas pressões se somam outras porque a gente também tem que ter um bom emprego, viajar, ser inteligente e descolada, desprendida, espiritualizada… Ufa! São muitos papéis que fazem não com que atinjamos a perfeição mas com que a gente possa garantir um direito de tentar ser feliz. Para piorar essa pressão toda, aparecem contas como a da Essena, de pessoas que confundem inspirar com falsificar a realização dessas cobranças, e nós nos deprimimos por não cumprirmos essas exigências que elas parecem cumprir. É uma pressão realmente desnecessária, eu concordo. E mais horrível ainda é quando alguém como ela vem nos dizer que era tudo mentira e que sofremos à toa.

Mas a questão é que nós somos treinadas a perseguir essa beleza, uma tal de beleza ideal. Mas perseguir não significa alcançar – nós nunca podemos alcançar, nunca podemos dizer em voz alta que achamos que alcançamos. É rude. É rude se dizer bonita, é rude admitir que sua casa é bem decorada, é rude dizer que você está feliz pra caramba com seu emprego, que seu salário se basta e que sua viagem foi realmente sensacional. Isso acontece porque a beleza é uma forma de controle feminino: nós somos válidas apenas quando nos dizem que somos bonitas, mas nunca podemos nos sentir bonitas pra nunca pararmos de procurar essa validade dada pelos homens. Mas se você, como eu, considera que tudo isso é muito relativo e que casas, viagens e vestidos bonitos não dizem respeito ao que outros definiram mas ao que você sente, vai perceber que rude não é ser assim ou assado: rude é a felicidade. E a maior prova disso são as it girls que definem novos conceitos de beleza e passam a ser acusadas de fúteis logo em seguida – ou você não percebe que o vestido, a maquiagem e o destino da moda mudam todo ano mas as @s odiadas continuam sendo as mesmas?

E é por isso que eu sinto que isso tudo que a Essena está ensinando agora é a ter culpa: culpa por tirar fotos bonitas, culpa por se sentir bonita, culpa por demonstrar felicidade. Sim, eu entendo e concordo que o que ela diz quando ela fala que uma menina de 15 anos deve se preocupar com mais do que malhar muito e comer pouco para ter a foto perfeita, mas eu não senti ela apontando um caminho para que essas meninas se olhem no espelho e se amem, mas apenas acusando todo mundo que curte as coisas que ela postava de fútil, falso e mentiroso. Poxa, é o mesmo tipo de julgamento fútil mas com valores invertidos apenas.

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Essena pergunta “Por que mais euteria postado essa foto?”. e eu respondo: se somos todas diferentes, nem todas temos a mesma resposta de Essena para postar nossa foto de biquini.

Eu vejo no discurso dela palavras de ódio e acusações muito pesadas, e isso me entristece, porque isso pra mim é só uma outra forma de odiar mulheres. Eu não sou nenhuma princesa da disney, não acho que não existe dor e tristeza no mundo e não acho que meus problemas são os mais difíceis que existem. Mas eu não gosto de expô-los tanto quanto gosto de expor uma foto em que eu me sinto bonita ou de um lugar bacana em que eu estou. Isso não é uma novidade, antes mesmo da internet os albúns da minha família eram das festas e das pessoas em roupas bonitas e não das visitas aos hospitais e velórios. Isso não significa que ninguém estava mentindo sobre ser feliz, apenas que não estavamos afim de eternizar a infelicidade. Ninguém está.

Todos querem buscar beleza, e eu realmente acho que a beleza não é uma distração ou um problema, não denota menos inteligência eu acho que é um direito de todos. Sim,dá pra ser zen e se sentir bonita, sim, dá pra gostar de decoração e ler filosofia alemã ao mesmo tempo. Nada nem ninguém tem direito de limitar o tipo de mulher que somos ou de colocar rótulos e caixas em toda nossa existência por causa de uma foto no Instagram. Ninguém precisa viver na caixa da fútil ou da inteligente, dá desesperada ou da espiritualizada. Somos tantos tons de cinza no meio desse preto e branco…

E sabe por que tudo isso é perigoso? Porque se disfarça de um empoderamento feminino que é falso e medíocre. Já faz um tempo que li sobre como, por a beleza ser uma meta cobrada das mulheres, ela foi diminuída como algo frívolo e sem significado. Associa-se tudo que é feminino ao burro e sem valor assim como se criam ofensas do tipo “mulherzinha”, esse é o truque mais velho do livro para fazer com que nós nos odiemos e aceitemos os rótulos e aprovações oferecidos. E é assim que artes como a moda e a maquiagem são tidas como artes menores pelo simples fato de serem ‘coisa de menininha’. Desculpa, mas eu acho que expressar quem você é, o que você ama, o que você deseja com suas roupas e atitudes e escolhas é lindo. Eu não acho que isso deveria ser recriminado de maneira alguma.

O que eu quero dizer é que eu sei que quando a gente lê o depoimento da Essena se sente um lixo com essas acusações todas de materialismo e frivolidade, a gente sente vontade de deletar tudo que tem no nosso Instagram pra não ter uma vida falsa na luz perfeita. E esse sentimento não tem nada de diferente ao sentimento que temos quando vemos um Instagram perfeito e odiamos a nossa vida: ambos são uma necessidade de adequação para receber aprovação.

Amiga, seja em pose de ioga na praia que você ficou feliz de fazer então fotografou ou seja de pijama e descabelada em casa, uma coisa é muito verdade sobre a vida: você não precisa se odiar nem fazer absolutamente nada pra passar a impressão a ou b pros outros. Você não precisa parar de tirar selfies e de se sentir bonita para ser uma pessoa melhor. Este não é o ponto.

Inteligência não é se desligar da beleza, mas se informar, criticar e raciocinar. Espiritualidade não é repudiar todo mundo que tira foto fazendo yoga, mas fazer o que te completa, se conectar com o que te atrai e deixar esses julgamentos para trás. Não existe fórmula do bolo, mas decididamente tem mais a ver com o que você faz do que com as regras do que não fazer que você eventualmente cria.

A beleza do seu rosto, do seu corpo, da sua casa, das suas viagens e das suas fotos é sim um direito seu, desde que seja seu. Antes do clique, é preciso pensar se ele existe para validar você, para contar os likes e estimar quão amada você é, ou porque você realmente quer curtir e eternizar aquilo tudo em uma foto bonitinha. E, claro, se você está mentindo sobre o que posta é um sintoma bem grande de que a validação alheia seja sua motivação. E aí sim é hora de você apertar o botão vermelho – mas aperte-o por você e não para parecer alguém mais evoluído na rede social. Não deixe evolução ser o novo projeto verão da cobrança.

 

01abr 2015

meus escritos | e se eu pudesse?

Postado por às em Meus escritos

nos 30 últimos dias eu:

– conheci Belo Horizonte, estive de novo em Não-Me-Toque e em Porto Alegre;
– fiz meu planejamento de viagem para Fortaleza;
– fiz um curso de Disciplina e Organização fantástico;
– descobri que floral funciona – e muito;
– comprei um sapato de oncinha incrível;
– comprei um jogo de café pink e emborrachado que é uma frescurite sem fim;
– comprei ingressos pra mais nova última turnê do Los Hermanos;
– conheci o Jorge Drexler e dancei um forró com ele (deixei o mais dramático pro final, vocês me conhecem).

 …

hoje, mexendo em fotos de tudo que anda rolando, deu vontade de mostrar pra vocês. porque, sim, é tudo bem fantástico e a vida anda sendo generosa como não era fazia décadas – vide o último post. acho que é crédito kármico.

e aí eu senti falta de ter onde contar. ou seja: pode ser que voltemos, pode ser que não. não prometo mais nada porque seria falta de vergonha na cara. mas que deu vontade de dividir bonitezas com vocês… ah deu!

saudades <3.

09fev 2015

meus escritos | the long and winding road

Postado por às em Meus escritos

já cansei de dizer o quanto esse blog me faz bem e é bom pra mim. o quanto encontrei gente por aqui que hoje faz parte da minha vida de maneira irreversível. o quanto sou agradecida por ter esse canto. eu faço cada coisa aqui com tanto coração que vocês nem imaginam, sabe? é por isso que quando eu tenho problemas na minha vida eu sumo daqui – é só ter energia ruim em volta de mim e eu fico incapaz totalmente de trazer coisas boas.

talvez esse seja o motivo que faça com que esse blog nunca se monetize ou nada assim – eu não tenho aquele perfil de blogueira que leva o blog tão a serio que consegue inventar coisas de onde não tem, criar situações que nem aconteceram pra trazer um conteúdo bacana. além disso, emprego é aquela coisa que a gente faz todo dia e não tem desculpa pra parar, né? não tem essa coisa de coração ou inspiração que tem que vir. como eu já tenho um trabalho onde escrevo triste, feliz, doente ou saudável, não consigo muito transformar o deborices nisso. gosto da minha casinha do jeito que tá.

eu demorei muito pra aceitar isso sobre mim, mas finalmente posso dizer sem medo que sim, eu prefiro deixar a peteca cair de vez em quando do que deixar a qualidade do conteúdo cair de vez em sempre insistindo em tentar dizer algo pra quem me lê quando não tenho nada a dizer. e, como vocês devem ter previsto com quase um mês de chá de sumiço, não tem muita coisa a dizer agora. as coisas não estão tão boas.

eu realmente pensei dias se dividir com vocês seria a melhor coisa – afinal, nós construimos um espaço pra falar de coisas alegres e não queria estragá-lo com amarguras. só que eu percebi que o que mais gosto no deborices é de manter com vocês a conversa no mesmo nível que eu tenho com as minhas amigas: eu gosto que aqui seja um espaço pra gente falar do que faz rir até a barriga doer mas também pra buscar conforto quando nada vai bem. e sobretudo escrever é meu modo de botar pedras em assuntos e superá-los.

meninas, as coisas não estão as mais felizes. do último post pra cá eu voltei das férias, descobri que estava grávida e, poucas semanas depois, perdi o bebê. novamente. eu tenho tido dias em que acordo achando que vai ficar tudo bem e não fica. dias em que acordo achando que vai ficar tudo mal e fica mesmo. mas sobretudo eu sei, de experiência já vivida, que eu tenho força pra sair desse ponto e continuar. eu tenho força pra passar por cima da dor. eu tenho minha família, eu tenho meus amigos, eu tenho minha fé e eu tenho vocês: sei que tudo vai ficar bem.

aparentemente, essa é minha “long and winding road” e eu deveria ter seguido meus instintos desde o começo de escrever sobre pra superar antes. quis ser outra pessoa que nunca fui: esconder, sufocar, ser discreta. claro que isso só piorou tudo – não dá pra superar nada sendo quem eu não sou. deus cria maneiras diferentes de caminhar pra cada filho, a minha é vir aqui e escrever, chegou a hora de aceitar.

aliás, só de escrever isso pra vocês, só de falar sobre o assunto e colocar pra fora já me sinto caminhando uma boa parte do caminho. e aí que já sei que isso também passa – tudo passa. essa é a única certeza da vida, certo?

obrigada pelo apoio, pelo ouvido, pelo colo, pelos comentários maravilhosos sempre, por serem as melhores leitoras que se poderia imaginar. por voltarem mesmo depois desses longos períodos, por entenderem minhas maluquices e posts sem sentido ou conexão… e pela paciência em esperar que eu saia aqui pro cantinho, cole minhas asinhas no lugar e fique quietinha até secar. eu sempre volto. blogar aqui sempre vale a pena.

obrigada por serem incríveis <3. this too shall pass.

19jan 2015

estilo | um maiô diferentoso

Postado por às em Estilo

lookmaio2

desde que eu vi esse post da Tamy eu tava super afim de ter algo mais diferentoso pra esse verão. só que eu não queria biquini, minha obsessão era maiô. o problema era que só achava uns caros, caríssimos que não me faziam curtir a ideia do investimento: afinal, eu só vou pra praia normalmente duas vezes por ano no máximo e já tenho alguns bíquinis que gosto.

mas aí eu vi esse maiô fabuloso nas araras da Riachuelo e, tchãnanam, catei o bonito pra mim já pensando nas hot pants que eu tinha comprado no Muambrasil. sabem quanto ele custou? R$ 59,90, cataploft! serio, não se compra nem biquini decente mais com tão pouco. levei pra casa e, ai, como fui feliz usando o bonito!

lookmaiomaiô Riachuelo | sandálias Ipanema | bermuda Marisa | bolsa presente de amigos queridos lá da Colombia | lenço AliExpress | brincos Maria Chica

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o mais legal é que eu nem tinha pensado é que colocando os acessórios certos dava pra fazer a boho-chic tão fácil e sem nem gastar tanto: os brincos, por exemplo, são de linha e não oxidam no mar. já a canga usada como turbante facilita o transporte super. só sucesso!

se no Instagram o bonito ficou desse jeito, na vida real ele também me deixou bem faceira:lookmaio5

é que esse formato cavado nas laterais é perfeito pra modelar o corpo – eu adorei. se você tá atrás de maiôs assim, corre que ainda dá tempo. tem vários cortes bonitos na Riachuelo e o preço tá muito camarada!

ah, uma outra coisa: a Tamy no post dela falou que pra não ficar com a marquinha errada é só caprichar no protetor. o que é claro que a antinha que sou não fez :B. no outro dia deu pra consertar com o bíquini cortininha, mas isso não impediu meu marido de passar aproximadamente 24 horas cantando “marquei um x, um x, um x no seu coração pra mim”. acontece.

*** sim, eu já tinha usado uma dessas fotos. mas não foi pra look, então tá valendo né? ;)

17jan 2015

pelo mundo | buenos aires de comer

Postado por às em Pelo Mundo

eu já reclamei e já falei bem de Buenos Aires, agora chegou a hora de falar sobre o que interessa: comidas. porque pra mim viajar é conhecer gente e conhecer <3 comidas <3. acho que a forma mais verdadeira de entrar em contato com a real cultura de um povo é ir colocando ela logo pra dentro da pança mesmo, vai dizer que não?

em Buenos Aires eu tenho dois restaurantes do coração, um mais hypezinho e um pé sujo porteñissimo. ambos valem o que cobram e fazem você sentir aquela alegria e plenitude que nessa vida a gente só alcança quando está amando comendo mesmo, não vamos enganar ninguém.

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estava eu caminhando pela feirinha de San Telmo quando passei por uma portinhola de boteco cheia de reportagens sobre o chef da casa grudadas nos vidros pra fora. parece que o tal do Leandro Cristóbal é um desses cozinheiros hypadíssimos: diz que tem programa de tv, inventou uma coisa que é um food-truck que não quer ser chamado de food-truck, anda de skate e é todo tatuado e se define como um “anti-chef”. ou seja, era o Sr. Coxinha de Pato Porteña, provavelmente.

apesar de parecer meio presunçoso com tudo isso, o cara manja das panelas e do ambiente feito pra você se sentir bem. é no meio daquelas paredes e detalhes que gritam “mamãe quero ir pro Pinterest” que eu comi uma sequência de pratos incrível, rica em frutos do mar bem preparados e arrematada com uma Panacotta de doce de leite recheada com trufa de chocolate (meu deus, que covardia!) na sobremesa.

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linguini com frutos do mar, uma entradinha de amendoins com chimichurri e panacotta. essa porção de macarrão é menos de 1/4 do prato.

apesar de todos os pratos serem perfeitos para servir dois esfomeadinhos como eu e o Malk ao mesmo tempo, o preço é meio salgado: uns 150 R$ por todos os comes mais duas cervejas e uma soda. mas se a gente perdoa a pose do tal anti-chef, a gente perdoa até esse precinho nada mochileiro quando come aquele camarão – garanto.

onde:  av San Juan 450, 1147, San Telmo – Buenos Aires
o que eu devo saber: que tudo com frutos do mar é bom e que não se aceita cartão de crédito ou débito aqui.
quando ir: no almoço de domingo, depois de caminhar a feirinha de San Telmo.

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maradonna ou pelé, tango ou samba… os porteños adoram debater coisas que eles supõe que sejam melhores que no Brasil. mal sabem que venceriam qualquer discussão com o argumento “calaboca, olha nossa pizza”.

tiofelipe2porque se tem uma coisa que Buenos Aires sabe fazer bem é pizza, cara.

a Tio Felipe não tem segredo: você senta a sua busanfa na cadeira, pede uma pizza a moda da casa (com ou sem anchovas, dependendo do seu grau de frescurinha gastronômica), uma Quilmes 3/4 e diz que me ama por ter te ensinado isso quando a tal pizza chegar.

veja de novo no replay:

tiofelipe3isso é uma pizza, não uma torta. eu juro

o preço é amigo: uma pizza média + uma Quilmes + uma água com gás vai te sair menos de 60 R$ e te deixar não só cheia como recheada de pizza. o problema é que a pizza brasileira vai ser estragada pra você por todo sempre. desculpa por isso, tá?

onde: balcarce, 759, san telmo, pertinho da Mafalda
o que eu devo saber sobre: que o dono curte papear com brasileiros e que anchovas são na verdade deliciosas.
quando ir: a noitinha, pra comer lá fora de boa e depois ir ao show de Tango barateza logo ao lado da casa.

***

deu pra sentir só com essas duas que em Buenos Aires se come bem, né? e ainda tem as empanadas, os alfajores, os assados… hmmm! aliás, se tiver oportunidade, coma um assado na casa de um porteño! da outra vez eu fiquei em hotel e fui numa churracaria famosíssima do Puerto Madeiro que ficou no chinelo quando comparada ao churrasco que nosso amigo que nos hospedou nos levou. os porteños mandam muito bem mesmo e se você se aventurar pela rede social Couch Surfing antes de sair do país tem grandes chances de ser convidado para coisas legais assim – é assim que se conhece um país de verdade, saca?!

sei bem que esse post vai render trela pra quem vem pelo Google já convido você que tem mais dicas da cidade a deixá-las nos comentários. quer saber mais algo sobre Buenos Aires? me pergunta que eu preparo um post ;).

16jan 2015

meus escritos | mais que uma foto de comida

Postado por às em Meus escritos

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“nossa, você é viciada nisso”, “nossa, larga esse celular um pouco”, “aí, precisa tirar foto de tudo?”… já perdi as contas de quantas vezes eu já ouvi isso. acho de uma deselegância extrema falar assim com alguém, mas é muito mais socialmente aceito que ser alguém como eu. aparentemente a deselegante sou eu.

sou eu que sou da geração mimimi, dos narcisistas, dos copia e cola, dos que não se importam com nada além dos likes. os outros estão cheios de boas intenções e sabem viver a vida de verdade, estar presentes no momento real. eu não, eu só sei viver através de uma tela e isso me coloca sob todo tipo de julgamento. afinal, sempre tem aquela pessoa que olha pro casal com celulares na mão durante o almoço e fala “olha lá, aqueles, dois, vale a pena ter um relacionamento assim?”.

mal sabem eles.

mal sabem eles que eu convivo com internet desde 1999 e blogs eu tenho desde 2001 (pelo que lembro, posso estar errada). mal sabem eles que eu cresci tendo o hábito de compartilhar experiências e que tenho amigos em todo o mundo desde muito cedo – amigos reais mesmo quando virtuais, que já foram a palavra amiga quando eu precisei. mal sabem eles que foi com essa conexão que eu aprendi o que é feminismo, que eu aprendi a comer melhor, que eu aprendi que algumas coisas machucam o outro e eu deveria evitar, que minhas ideias políticas se abriram. mal sabem eles que foi com o hábito de estar sempre futricando no celular que eu ganhei o mundo, que eu aprendi a pesquisar termos que não compreendi em uma conversa e a ganhar novas paixões, que eu aprendi a falar duas línguas sem estudar e tive com quem praticar a escrita delas enquanto conhecia culturas e disseminava ideias.

pode ser que pra muitos nós sejamos apenas o casal de quem deve sentir-se pena pois não nos conectamos com o mundo real. eles não sabem como é bom poder falar com sua mãe e seu pai e seus irmãos de onde quer que você esteja. não imaginam que se possa ter familiares ao mesmo tempo em quatro países diferentes, alguns em férias e outros não, mas todos por perto na hora que a gente para pra almoçar juntos pelo 3g. quando veem o por do sol, veem só um por do sol, não uma oportunidade de compartilha-lo com a avó que acabou de ir pro hospital só pra conseguir um sorrisinho dela. veem a vida aqui e agora, nunca além.

pode continuar sentindo pena da minha dependência por curtidas ou do meu excesso de narcisismo quando faço mil selfies. o julgamento é uma coisa estranha: enquanto alguns sentem pena da gente que vive “dependente” de um 3g, eu sinto pena de quem ainda não entendeu que vivemos uma época revolucionária: a que ninguém está sozinho, a que todo mundo está perto e a em que eu posso aproveitar uma manhã de férias pra vir dizer a quem lê esse blog que é parte importante da minha vida e que eu sou grata de poder conversar por aqui com pessoas a quem eu nunca teria acesso se não fosse esse sinalzinho de internet.

a próxima vez que você quiser pedir a alguém que tire o celular da mesa enquanto fala com você, entenda: talvez o problema não seja o vício. talvez não seja falta de educação, só incapacidade de fingir interesse. acho que as pessoas ainda não entenderam que é preciso ser mais interessante que uma conversa sobre o tempo ou relações falsas geradas por obrigação quando temos os melhores amigos com uma história ótima a um toque. porque eu preciso mesmo de um esforço hercúleo para responder a alguém pela milésima vez “com o que você trabalha mesmo?” enquanto um grande amigo está precisando da minha ajuda para resolver um problema a quilômetros de distância.

é claro que existem os idiotas: existem os que não se importam com nada e não absorvem nada a não ser a si mesmos. mas será que fomos nós que inventamos esse conceito também? será que foi o celular que fez as pessoas assim e não existiam outras ferramentas para se auto idolatrar antes?

não, nós não somos egoístas, não somos narcisistas. somos apenas mais humanos e globais que qualquer geração que já passou por aí. acho que a receita pra lidar com essa gente que tira foto de comida e não sai do WhatsApp é bem simples: aceita que dói menos.

*** inspirado nesse vídeo bem bonito:

15jan 2015

estilo | as tais das flash tattoos

Postado por às em Estilo

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oi, oi, tudo bem? vamos começar explicando: este não é mais um post dizendo que “quando eu vi as Flash Tattoos a primeira vez torci o nariz mas depois me acostumei com a ideia e blablablá”. não, gente, eu jamais faria isso. eu, desde a primeira vez que vi Beyoncé toda maravilhosa, rainha e feiticeira de tatuagem dourada no Instagram pensei: MEU DEUS EU PRECISO TANTO. transformei “fazer flash tattoo” em uma missão de vida mesmo. foi amor a primeira vista – não vou mentir pra quem já sabe o quanto sou brega.

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diva absoluta, rainha deusa do universo <3

eu procurei as flash pra comprar na internet, sei lá, desde o começo do ano passado. mas nessa época era may que impraticável: só tinha em site gringo e custava uns trinta dólares cada cartela. lembro de ter quase comprado uma quando meu marido ao ver a cena falou “se você pagar trinta dólares em tatuagem de chiclete importada eu juro que te interno dessa vez”. pensei em comprar escondido deixei pra lá.

mas, como tudo que vira modinha, tardou mas não falhou e em dezembro a Renner anunciou que tinha Flash Tattoo. alegria, emoção, desespero para achar logo e medo do preço foram alguns dos sentimentos que eu experimentei quando vi. comprei na loja do Shopping Palladium duas cartelas por R$ 19,90 cada – o que se você pensar bem tá longe de ser barato para tatuagem temporária. inconsequências de verão, né?

guardei todas pra fazer quando chegasse na praia, primeiramente porque duram pouco e eu queria que elas aparecessem com biquini, mas confesso que principalmente pela vergonha. serio, você se sente meio ridícula quando no meio de adultos e fazendo tatuagem temporária. aqui no Uruguai ninguém me conhece e eu tô mais confortável, né?

só que quando fui tentar a primeira, é claro que fiz meleca. não sei se sou eu que sou burra ou se isso é muito mais difícil do que eu lembrava da época de Ploc, mas a tatuagem embolou todinha. Malk riu da minha cara por meia hora e decidiu me ajudar. foi assim que eu descobri que casei com um pós-graduado em tatuagem de sucrilhos – a gente nunca cansa de se surpreender.

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a tattoo saiu perfeita depois da intervenção de um especialista e foi sucesso. teve gente me parando no camping pra perguntar onde comprei. teve uma senhora que chegou a questionar qual o processo pra por pigmento dourado na pele (eu duvidei um pouco da inteligência dela inclusive). no fim resolvi deixar as tatuagens lá até que apresentassem os primeiros sinais de deterioração. durou quatro dias em perfeito estado, mas não foi muito inteligente da minha parte no fim das contas, já que fiquei com um bronzeado na marca da tatuagem bem bonito. tudo pela ciência, né? ao final dos três dias ela ficou assim:

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bem aceitável

enfim, eu li vários, vários mesmo, posts sobre “a moda da FlashTattoo” todos iguais, mas eu não achei muita coisa sobre melhor forma de aplicá-las não. como hoje eu renovei os modelitos, pedi pro Malk fotografar o processo enquanto fazia e é assim que temos o tutorial Deborices de tatuagem temporária infalível para arrasar no verão:

flashtattoopassoapasso

gente, assim não tem erro. everybody can be-yoncé!

agora me contem aí nos comentários: vocês tão se flash-tattoando? tão curtindo? tão usando na praia? já viram as colega desfilando assim por aí? não me escondam  nadinha, hein?

***ps: já criei também um FAQ da Flash Tattoo com as dúvidas que eu sei que ainda vão surgir. de nada.

# onde eu compro essas belezinhas?
não na Renner, colega. serio, essas até que são bonitinhas, mas a cartela vem toda encavalada, cortar é um desespero e para ajudar o gênio que projetou colocou as palavras escritas no sentido correto. tipo, é uma tatuagem temporária, tem que ser espelhada, dãr, Renner, you had one job!
eu descobri depois de comprar que a loja de acessórios mais dona do meu coração na Terra, a Preta Fina, tem. peçam lá e juro que não vão se arrepender – apesar das minhas não serem Preta Fina eu vou comprar mais quando voltar de férias com ela e já boto minha mão no fogo por qualquer coisa que a Juliana faça.

# Debs, não tá muito modinha fazer isso? será que eu faço?
faça. serio, é muito legal, é o tipo de coisa que faz a gente querer tirar mil fotos e ficar felizona. e a gente sempre se arrepende de não brincar quando passam as modinhas né? se joga que é verão, você tá aí na flor da idade e se leu esse post até o fim é porque já tá querendo mesmo.

# mas Debs, e se alguém no meu Facebook postar uma indireta pra essa modinha? como eu reajo?
aí você faz duas. depois mais uma na testa. fotografa com o pau de selfie, um rosa de preferência. arremata mandando seu carnê da Renner como um bonito presente pra quem tá dando opinião que ninguém pediu pagar.

mais tatuagens douradas no Instagram, menos chatice no mundo é só o que eu peço <3.

13jan 2015

estilo | dicas secretas de compras em Montevideo

Postado por às em Estilo, Pelo Mundo

comprasemmontevideo

quantas pessoas você conhece que já te deram dicas de compras em Montevideo? serio, a minha opinião é que quem conhece não fala porque deve ser segredo, deve ser parte de alguma seita, não é possível. comprar roupa em Montevideo é barato e o estilo que você encontra nessa cidade é apenas <3 amor <3.

eu mesma não gosto muito de perder tempo comprando enfurecidamente em viagem, prefiro passear. mas quando chego em Montevideo fico pirada, ainda mais porque pela segunda vez estou aqui em época de Rebajas (liquidação de Natal!!!). piro de tal forma que tirei um dos vinte dias só pra bater perna gastando meus Pesinhos. fica aí a apresentação das três lojas daqui que moram no meu coraçãozinho:

Outlet Daniel Cassin e Piece of Cake
quem já manja das compras desse lado do Rio da Prata sabe que Daniel Cassin e Piece of Cake são ouro! as roupas são mais comunzinhas, mas os sapatos e acessórios, ah! maravilhosos! tudo tem uma qualidade incrível e o design é bem diferente do que se encontra no Brasil também. o que dói é o bolso – os preços não são nada convidativos pras brasileiras… a não ser que você vá no Outlet! yey!

outletdanielcassinepieceofcake

não encontrei muitos sapatos que me emocionaram dessa vez, então só pirei nos acessórios:

danielcassinpieceofcakeheadband e colar Daniel Cassin, brinco Piece of Cake

cada peça saiu por cem pesos (pouco mais de dez reais). levando duas, a terceira era brinde u.u.

Endereço:
Av 18 de Julio, 884
(bem perto mesmo da Plaza Independencia)

Parisien

parisiena Parisien é tipo a C&A uruguaia – preços bons, modinha barata e acessível, qualidade mediana. eu gosto porque o estilo das uruguaias é mais estampado igual o meu – vale muito a pena pra mim pelas coisas que não se encontram iguais no Brasil. (enquanto editava as fotos percebi que não comprei quase nada estampado, mas mesmo assim, os preços são bem bons, juro, haha.)

aqui eu despiroquei ligeiramente:

parisien1 parisien7 parisien8parisien3 parisien4 parisien5

essa última bolsa não é uma versão xing-ling bem mais pobrinha adorável daquela bolsa modinha, a tal da Wayuu?

Endereço:
18 de Julio 1771
(maaas tem em vários endereços, inclusive em outras cidades do Uruguai. consulte aqui)

Indian Emporium
da Indian Emporium não tem foto – por algum motivo é proíbido tirar. é uma pena porque pra mim é a mais interessante em acervo. eu penso na Indian Emporium sempre assim: imagina que a Farm deu uma caída na qualidade mas em troca tem preços acessíveis para as pessoas não milionárias do mundo? é isso. nem bazar Farm faz o milagre que essa loja faz:

indianemporium1 indianemporium2

Endereço:
18 de Julio 902
(maaas tem em vários endereços, inclusive em outras cidades do Uruguai. consulte aqui)

gostaram das minhas comprinhas? não disse que tinha muita coisa bonita pra se ver por aqui? e olha que essas dicas são as que eu já conhecia da última vinda a Montevideo, mas como vou voltar lá essa semana quem sabe eu não ache mais alguma coisa interessante e traga pra vocês? ouvi dizer que a Manos del Uruguay é enlouquecedora hehe. se souber de mais algo, atualizo o post ;).

 

12jan 2015

meu look | Buenos Aires pra se gostar

Postado por às em Estilo, Pelo Mundo

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estamos em Buenos Aires – aquela cidade que todo mundo que conhece ama – ou quase todo mundo. é que eu mesma odiava esse lugar até bem pouco tempo, vir pra cá era sempre um festival de azar (já fui internada e já fui roubada pela polícia aqui, só pra vocês terem ideia). mas ao que tudo indica a nhaca passou: nos últimos três dias só rolou felicidade e muita, muita, muita comilança nesse pedaço agitado e colorido do mundo.

a programação de ontem era dar umas bandas pela Recoleta – é o bairro chic e metido a parisiense da cidade. eu queria ir arrumadinha porque iamos jantar no Hard Rock e eu já estava mochileira-mulamba-riponga fazia um bom tempo. sabe quando a gente tá viajando e sente saudades da dignidade, né? só que mas mesmo assim tinha que ser uma roupa mais fresquinha e resistente: o calor tá desumano e iamos andar um bucadinho pela feirinha de San Telmo também. escolhi um vestido levinho com gladiadora, coloquei pouco acessório (descobri que no calor daqui um monte de anel e pulseira é suicídio) e fui pro abraço:

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vestido Farm | gladiadora Passarela | bolsa e relógio Parisien

gente, vestido da Farm é mara pra mochilão-de-verão. assim, eles são fresquinhos de tudo, curtos mas não ficam subindo e entrando onde não deveriam (sem desconforto) e, vamos combinar, são lindos e diferentes na medida. a gladiadora também: uma gracinha e confortável de tudo – já andou a cidade toda sem machucar, sem ficar pegando em tornozelo, sem nenhuma tristeza. tá, eu confesso, colegas, esse é um daqueles conselhos fúteis pra quem acha que sair bem na foto é importante – tipo eu. serio, passo raiva quando vou ver as fotos da viagem e estou com cara de louca mendiga em todas – não quero porta retrato comigo esculhambada né? mas ao mesmo tempo não vou ficar caminhando por aí de salto quinze e vestido de festa, não sou obrigada. vivo nessa busca pelo meio termo nas malas de viagem e dessa vez acho que consegui.

sobre o passeio: eu não sei que expectativa que eu tinha sobre um Hard Rock mas eu achei… legal? o hambúrguer é muito gostoso, o bar é bem decorado, mas a coleção de Beatles é fraca, acho que foi isso que me deixou meio “ah, é só isso?” haha. mas não me entendam mal, é bem gostoso, mas é um passeio meio turistão. não me emociona tanto quanto as pizzarias pé sujo de San Telmo – até porque acho que vale mais a pena comer algo bem tipicamente argentino por lá do que um hambúrguer qualquer, entendem? inclusive vai rolar post especial sobre a melhor pizza dessa cidade que é simplesmente estupenda.

hardrockbsaso tal hamburguer famosíssimo do Hard rock – bem gostoso mas já comi melhores em Curitiba

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ok, o autógrafo do Paul me emocionou um pouco.

mesmo com minha rabujentice com o hambúrguer, eu ainda digo que vindo pra cá não dá pra deixar de dar um rolê pela Recoleta: o bairro é lindo demais e tem toda a experiência antropológica das velhinhas porteñas passeando com seus poodles em meio ao pessoal cool do shopping de design. ah, e claro, tem também os meninos de bermuda curta colorida e as meninas estampadas de coque alto – todos tem cara de saídos da faculdade de artes. sério, é bem meu tipinho de frescura, haha.

pras insta-lovers como eu, rolam lugares lindos pra tirar fotinhos divertidas também:

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gente, eu ainda tenho tanta coisa pra contar dessa viagem: vai rolar indicação de restaurante, compras de Bsas, compras de Montevideo. to tentando dar conta aqui hehe. o que vocês tão com mais vontade de ver? me contem :*. ah, vi no Melhores Destinos hoje mesmo uma promoção mara de passagens pra Buenos Aires – segura aqui, Berenice, que esse é o ano em que vamos bater!

 

08jan 2015

meus escritos | de violão, de skate e de tudo que se quer

Postado por às em Inspiração, Meus escritos

detudoquesequerser

quando eu tinha 16 anos tive um namoradinho que tocava violão e me ensinou. foi um pouco antes da época em que uma das minhas melhores amigas (até hoje) me passou as manhas do skate e eu comprei um Mary Jane azul pra usar com minha calça baixa – coisa que aconteceu entre os tempos de grupo de jovem da igreja e do grupo de atletas do Xadrez na escola. pois é, eu já fiz de tudo.

mas embora o violão esteja encostado faz uns anos e hoje seja só de vez em quando arranhado, eu lembro de uma coisa engraçada da teoria da música que é a vibração de cordas. vou tentar explicar: quando a corda do violão vibra, por exemplo, em Lá, todas as cordas em Lá próximas dele vibram juntas em resposta. mesmo que você não as toque, elas vibram. eu nunca confirmei, mas quando me contaram isso eu cheguei a conclusão que é por isso que quando estamos bem pertinho da música em um certo volume o nosso corpo vibra junto. o som nos vibra. mas será que é só o som?

eu acho que não. eu acho que tudo que escolhemos meio que vibra conosco. dá pra ver bem isso quando a gente tá numa festa com pista vazia: precisa sempre alguém mais desinibido levantar primeiro e enfrentar o clarão ali no meio pra que seja rapidamente seguido. todo mundo tem dentro de si a vibração da dança, basta que alguém toque a corda e nós vamos lá. e ao mesmo tempo que podemos usar essa teoria pra produzir coisas lindas, podemos usar para fazer o mal.

lembra daquela música do Chico Buarque “a Geni e o Zepellin?”. que a cidade inteira se sentia bem jogando as ditas das pedras na pobre? todo mundo estava lá apedrejando porque… porque todo mundo apedrejava, ué. as pessoas em grupos sentem mesmo esse poder de fazer o bem ou o mal – na hora de jusitifcar dizem “mas todo mundo estava fazendo”. é como se perdessem a consciência entre o certo e o errado quando estão nesse transe dessa vibração compulsória.

a vibração também explica uma outra coisa que é uma parte da minha vida: as tendências. uns cinco anos atrás a tendência era ser pin up, todo mundo queria ser pin up. eu nunca fui pin up mesmo mas eu brinquei com batons vermelhos, poás e delineados gatinhos. aí passou, assim como passou o skate que eu disse lá no começo. mas como tudo com que eu brinco na vida, fica o lado bom: por exemplo, aprendi a gostar de mim e de me enfeitar, a ter coragem de usar batom colorido (que me faz bem pra caramba, me acho linda) e de delinear bem grosso – uso isso até hoje. agora eu ando meio riponga, ciganinha e tô adorando essa coisa de moda boho. amanhã deve mudar e eu não tenho nenhum compromisso em manter essa aparência. mas eu sei que algumas coisas que aprendi – como perder o medo da estampa e do penduricalho e entender o significado de uma mandala, vão ficar comigo pra sempre. conhecimento é coisa que não se perde – mesmo os mais fúteis e bobos.

é que por fora a gente pode até estar vibrando nas tendências, mas por dentro nunca mudamos quem escolhemos ser em essência. eu mesma, seja cheia de caveiras ao meu redor e sonhando em visitar Vegas ou de mochila nas costas e saia longa no Uruguai, nunca mudei o valor que dou ou não na minha família, nos amigos, em ajudar as pessoas e em aprender coisas novas. tá no meu sangue, não tem jeito.

não me entendam mal, eu não acho errado ser a mesma – a Mahara, minha cabeleireira, por exemplo, nasceu pra ser pin up com aquele rostinho e carinha de Marilyn. ela curte esse estilo faz anos e pode vir a moda hare krishna que ela vai continuar rodando a saia. acho bonito esse jeito de ser. só não acho que é pra mim viver o mesmo e o mesmo todos os dias. cada um no seu quadrado, eu nunca gostei tanto de algo que me fizesse me comprometer pela vida igual um casamento – sigo aqui brincando e achando legal quem já sossegou.

mas sabem o que eu acho errado? é o padrão de vibração que algumas pessoas escolhem. sabe aqueles reclamadores profissionais? vocês já viram o tipo de energia que eles atraem? abre o Facebook e confere, quantos status você lê por dia dizendo o que odeiam? “odeio meninas que usam flor na cabeça”, “odeio a moda de comer paletas mexicanas”, “acho quem gosta de Lana del Rey idiota” seguidos de comentários que começam com “eu também” até que tudo perde o controle e chegamos numas ofensas meio cabeludas e preconceituosos pra caramba. é a Geni no meio da praça e a pessoa escolhe tacar a primeira pedra sabe-se lá o porquê. quando vemos, o apedrejamento aconteceu. tá todo mundo vibrando sua corda desafinada de ódio e deselogios por causa de… uma coroa de flor. um apetrecho de fotografia da moda. um estilo de roupa ou foto no Instagram. tudo é motivo pra vibrar nessa energia.

ainda não entendi porque pessoas que gostam de experimentar que nem eu geram tanto ódio, mas hoje quando eu acordei percebi que decidi que não me importo e não vou vibrar essa corda. seja parando de seguir no Facebook, seja não saindo mais junto… eu tô um pouco cansada de tanta gente que escolhe despertar o pior no outro.

reclamação tem valor: se a gente não reclama na prefeitura, por exemplo, ninguém asfalta a rua ou recolhe o lixo. mas o que me traz reclamar da flor no cabelo da menina? de que fulana tá tirando foto do look do dia ou não? que cicraninha tirou foto com pau de selfie e o joãozinho comeu coxinha gourmet? o que me traz sair do terreno da piada e declarar ódio real a comportamentos que não mudam nada?

pra que tudo isso se a gente pode tocar uma música boa? vibrar junto na mesma e quando ver atrair só felicidade? olha só, vai ver é mais uma coisa que a fase riponga e uruguaia me trouxe… esse papo de energia e de escolher ser feliz. mas eu acho que essa vai ficar.

porque eu prefiro é botar minha coroa de flor, tirar uma foto com meu pau de selfie tomando pisco ou mate e depois fazer um elogio pra uma amiga pra dar coragem em todo mundo de provar flor, pisco, mate, tirar foto bonita e principalmente de elogiar a colega que tá linda mesmo. eu prefiro mudar a vibração da minha corda a força. e mesmo que me digam que não usar a mesma casca todos os dias seja coisa de gente que não é autêntica, ainda acho que o que nos é autêntico tá mais no coração que na roupa. e ainda que eu não esteja mais na moda da flor, da selfie e do saião amanhã, tem uma coisa que nada vai me tirar: o fato de que eu escolhi ser feliz e me cercar de coisa boa.

ah, claro que não sou santa. escorrego e falo mal às vezes, tem hora que acordo e passo o dia reclamando. mas tem uma coisa que eu sou muito consciente: se eu não escolher sair dessa, ninguém vai me tirar e, aliás, vai aparecer gente de todo lado pra me jogar mais pra baixo. lá embaixo é muito escuro. prefiro ficar na superfície. aliás, tem lugar pra você também: é só querer.

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